Histórias da high capixaba XXXIX

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Dias atrás, o nosso querido amigo ALESSANDRO DE PRÁ dizia que eu precisava escrever e contar para muitos que não conheceram quem eram as figuras das quais costumo usar jargões na coluna. Hoje, vou contar um pouco e um fato do saudoso TAO MENDES, aquele do “MACACOS ME MORDAM".
ASTROGILDO MENDES FILHO, o popular TAO, faz parte de uma seleção de pessoas folclóricas da Ilha. Tinha um estilo bem pessoal e inconfundível: usava calças tão apertadas que as de ZEZÉ DI CAMARGO iriam parecer de pijamas perto das dele. Adorava uma blusa CACHAREL, de gola alta, quase sempre preta, e todas ele cortava os punhos e fazia dois bolsos em cima dos peitos, deixando-as com mangas ¾.
Nos fins de semana, usava shorts curtíssimos e tamancos de pau. Uma figura!!! De um bom humor invejável, era garantia de momentos de alegria quando chegava nos lugares. Comigo, quando nos encontrávamos, já vinha dando gargalhadas e soltando sempre a mesma frase: “TÁ BOM DEMENTE!” E adorava as minhas respostas, emendando risos sem parar.
Dele, temos muitas histórias. Um dia, quando ainda morava na Vila Rubim, ia levar meus filhos pequenos para o colégio quando o vi no ponto do ônibus, atrás do Mercado. Parei para dar uma carona e, como sempre, ele já entrou dando gargalhadas. Tinha nas mãos uma sacola plástica. Ele trabalhava no Ministério do Trabalho e a irmã, WILMA, tinha pedido para ele ir ao mercado comprar umas linguiças para colocar numa Feijoada. Como sempre tinha muitas histórias para contar, quando chegamos na porta do Colégio Agostiniano, ele passou para o banco da frente.
Chegando na Praia do Suá, onde morava, nos despedimos e fui para o meu trabalho. Naquela época, ainda não havia telefone celular. À noite, o telefone tocou, era ele às gargalhadas. E eu que disse: 
- Fala DEMENTE, o que aconteceu?
Ele só ria. Depois de alguns minutos, ele disse:
- Por acaso deixei minhas linguiças no seu carro? 
- LINGUIÇA???
- É...WILMA quase me matou porque fui no mercado, comprei as linguiças para a Feijoada dela, que acabou ficando sem as “bonitinhas”.
- Vou à garagem ver.
Eliza é quem pegava as crianças na saída do Colégio, em outro carro. Fui e no chão, estava o pacote das benditas linguiças. Voltei e falei:
- Estão sim! O que admiro é você ter esquecido LINGUIÇA. Se fosse outra coisa, tudo bem, mas eu sei que você tem ideia fixa em LINGUIÇAS.
Ele, às gargalhadas, se despediu e disse:
- MACACOS ME MORDAM! Amanhã vou buscar. Fico sem qualquer coisa, mas sem LINGUIÇA e OVOS jamais!!!
E desligou com suas gargalhadas inimitáveis.

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