Histórias da high capixaba XXXVIII

Social

Tempos atrás, era comum ouvir sons de triângulos pelas ruas da Praia do Canto. Era uma maneira de chamar a atenção das pessoas para venda do delicioso QUEBRA-QUEIXO. E todos os dias, no mesmo horário, lá vinha o rapaz tocando o instrumento. Depois, escolhia um local, parava e aguardava os clientes para vender.
Quando ele passava perto do apartamento da minha querida amiga EUNICE FAFÁ, que morava no primeiro andar de um prédio, ela tentava de todas as formas chamar a atenção dele para poder comprar, mas ele seguia o seu caminho sem dar a mínima para os seus acenos. E foi assim por muito tempo. Algumas vezes, ela nem ligava mais. Depois de alguns xingamentos, lógico!
Até que, um dia, deu vontade de comer um QUEBRA-QUEIXO e, por sorte, quando se aproximou da varanda, ele atendia uma pessoa. Ela gritou e o comprador mostrou para ele, que sorriu e sinalizou que levaria. Quando o rapaz passou perto da janela, ela foi agradecer a intercessão e contou:
- Há meses eu o chamo e ele passa direto!
Foi quando ele explicou a razão:
- É porque ele é surdo-mudo!
Aí, todos caíram na gargalhada. Como diria o saudoso TAO MENDES: “Macacos me mordam."

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