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CLASS/TORPEDO

31/05/2019 16:00 pm

PARA VOCÊ LER E REFLETIR

Sou fã de carteirinha das crônicas dominicais da capixaba DANUZA LEÃO, publicadas aos domingos no caderno ELA, do jornal O GLOBO. Ela sabe, como ninguém, futucar o diabo com vara curta e fazer muitos que se acham além do bem e do mal caírem na real. Mas, numa das últimas publicações, ela extrapolou e não me contive: me senti na obrigação de transcrever para vocês, caros e amados leitores, porque comungo com tudo dito por ela e certamente vocês verão a semelhança no que escrevo aqui. Simplesmente, digna de aplaudir de pé após a leitura.

A “UNICIDADE”
“Querer melhorar de vida, ter acesso a coisas a que nunca se teve, ter sonhos impossíveis, é normal, e segundo dizem, até saudável. Há os que passam a vida querendo mais, fazendo tudo para ter o que ouviram falar que é o melhor da vida (e quase sempre conectadas com o $$$). Mas, se fosse isso, bastaria ter muito dinheiro, escolher sempre o mais caro, encher a geladeira de caviar e champanhe e ser feliz.
Tendo uma certa cultura – não necessariamente a dos livros, mas se tiver lido alguns, melhor ainda – uma certa vocação para o bom gosto e alguma sensibilidade, é só olhar para tudo sempre com atenção, mas não apenas com os olhos. Para aprender, é preciso usar os cinco sentidos conhecidos e, sobretudo, os outros, aqueles que não têm nome – e um pouco de talento e personalidade nunca fizeram mal a ninguém. Mas, há quem prefira comprar tudo pronto, sobretudo as opiniões. Depois de lerem as críticas, já sabem do que vão gostar e por quê. Se tiver sido num jornal estrangeiro, melhor ainda.
É raro encontrar quem tenha uma opinião mais pessoal sobre seja lá o que for. Todos gostam das mesmas grifes, dos mesmos restaurantes, dos mesmos roteiros turísticos, das mesmas músicas; suas casas são brancas e iguais, e poucos sabem que Dr. Lúcio Costa teve durante anos o mesmo carro, um velho e chiquérrimo Austin. Para quem não sabe, Dr. Lúcio Costa foi o arquiteto autor do plano piloto de Brasília.
Como é bom encontrar alguém que diga – apenas por gosto pessoal e não se importando com a opinião dos outros – que não gosta de champanhe e que não há grande diferença entre o mar do nordeste e os famosos mares do Sul. Uma pessoa que não tenha medo de dar opiniões politicamente incorretas, nem de confessar – sem nenhum constrangimento – que não gosta de viajar porque odeia aeroporto. Que se diga francamente pró ou contra qualquer coisa, seja lá o que for, mesmo estando errado, contanto que seja seu pensamento, não o que ficou combinado que deve ser. Aliás, quem determina o que é certo ou que é errado? É raro encontrar uma pessoa que não pensa igual a todo mundo, que tem coragem de confessar não só a sua ignorância quanto a certos assuntos, como a de discordar da opinião geral.
Convenhamos que é difícil: as pessoas e o mundo estão a tal ponto iguais que não adianta pegar um avião e ir para o outro lado do planeta para comprar a mesma camiseta, o mesmo tênis e comer o mesmo Camembert. O.K., na Normandia se pode comer o melhor, mas disso só sabem os iniciados, e para ter esse diferencial, só com uma certa cultura, mesmo aquela considerada inútil.
Só se valoriza o que é único: o vestido, o diamante, o computador que por enquanto só você tem, a fivela de tartaruga verdadeira comprada numa feira de antiguidades (do tempo que isso ainda não era crime), que você não empresta, não dá e não vende nem por um milhão de dólares.
Cada pessoa é única; única em seus traços físicos, em sua inteligência, em sua personalidade. É só cultivar o que temos de mais precioso, essa “unicidade”, para se destacar num mundo em que todos estão cada vez mais iguais.
Não é uma questão de ser mais; apenas de ser única.” – DANUZA LEÃO

Ah… Danuza, se você estivesse ao meu lado, eu iria de joelhos agradecer por este texto maravilhoso. Muito do que você disse aqui, já comentei. E, vindo de você, que nunca foi apenas mais uma, mas única, sinto-me de certa forma lisonjeado porque nunca quis ser o maior e o melhor, mas, sempre fiz impor as minhas opiniões, alheias principalmente dos que julgam-se MAIORES e MELHORES. Obrigado! Obrigado! Obrigado! – JORGINHO SANTOS



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Um Comentários

  1. WILDSON PINA disse:

    aplausos, e mais… aplausos, e mais… aplausos !

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