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CLASS/ENTREVISTA

XUXU NEFFA: SUCESSO, LÁ VAI ELA!

SIGNO:
Libra.

MANIA:
São tantas que dariam um outro livro.

ESPORTE:
Natação.

DETESTA:
Sair da rotina.

APAIXONADA:
Pela língua portuguesa.

BRASIL:
Nem “Vita” ou “Riba” ou “Tê” para dar o jeitinho brasileiro.

VITÓRIA-ES:
Peca por menoscabar o Centro Histórico.

REALIZAÇÃO MAIOR: A Indústria de Alimentos Maria Honos é um projeto creditado a mãos várias; por isso, de uma concepção abrangente. Sou parte integrante desta empreitada. E me basta.

ADMIRAÇÃO: Ao doutor Carlos Laet de Oliveira, meu professor de português.

SONHO DE CONSUMO: Trabalhar não somente num clima de estabilidade econômica senão também, e acima de tudo, jurídica.

 

CLASS – Como foi que despertou a veia literária em você?
Quanto ao livro “Sete Pecados Empresariais”, este era um projeto que cogitava cumprir desde nova, inspirada em acontecimentos de que tomei parte, por ser membro de uma família empresária. No que toca a “Milagre em Passadouro”, iniciei um relato despretensioso, para exercitar mais e mais a arte de escrever, e deu no que deu. A coisa foi crescendo, crescendo, até chegar a uma obra literária dilatada.

CLASS – Você tinha o hábito de ler muito? E que tipo de leitura?
Tenho sempre algo a ler, mas o faço sem pressa pois passeio meu olhar, por hábito adquirido, nos detalhes da redação, desde a ortografia passando pela construção do texto, sem perda de atenção às minúcias gramaticais que não mais passam despercebidas por mim, dada a minha vivência na língua pátria. Por isso, seleciono na maioria das vezes autores que primem por uma linguagem castigada. Não sou fã de literatura estrangeira.

CLASS – O primeiro livro “OS SETE PECADOS EMPRESARIAIS” foi o maior sucesso. O que espera do segundo livro?
Não espero nenhum tipo de consagração, até porque sou empresária-escritora, e não vice-versa. Todavia, na qualidade de empresária-aluna, não poderia deixar de traçar uma meta a ser atingida por mim mesma. Foi quando, então, levei a efeito essa aventura de romancista.

CLASS – Você é uma pessoa que podemos qualificar como WORKAHOLIC, diante de tantos trabalhos que comanda, Como você divide o seu tempo?
Não é bem assim; só procuro fazer bem aquilo que me proponho fazer. Fazendo uma mea-culpa, admito haver perdido há tempo a posse do que vem a ser um meio-termo. Em conclusão: tornei-me uma obstinada. Isto mesmo! Sou uma obcecada da pior marca.

CLASS – Qual das atividades é mais prazerosa? Falando o comum.
Gosto de bastantes coisas; gosto de estar a aprender seja lá o que for. Raras são as vezes em que fico à toa.

CLASS – Quantas pessoas trabalham sob a sua administração?
Sob a gestão “feminina”, como diria meu personagem Riba, eu e mana Flávia somos senhoras de uns 350 funcionários, que estão alinhados em hierarquias muito bem delineadas, o que torna mais amena a gestão. O domínio das mulheres na empresa é inclusive reconhecido pelo meu irmão Marco Antônio, um gentleman de primeira classe, que cuida não cutucar as feras com vara curta.

CLASS – A MARIA HONOS é um sucesso em pouco tempo, já conhecida nos grandes centros. Já existem consumidores?
Antes, convém esclarecer que o crescimento do negócio-indústria não se deu, embora pareça, num piscar de olhos. Até a marca alçar voo, passamos todos por muitos percalços. Erramos e acertamos inúmeras vezes. Outra mais: não é incomum correções de rumo no mundo corporativo.

CLASS – Como é crescer diante de um país com tantas alterações no mercado financeiro?
Esta afirmação é fraca e, absolutamente, não se colhe o que sugere na pergunta formulada. Antes fosse o mercado financeiro. Quem me dera! Predomina, de uns anos para cá, a insegurança jurídica como entrave sobre todos os outros impasses corriqueiros. A depender da toga que nos rege, a coisa sobe de ponto e o perigo se torna iminente.

CLASS – Você criou uma guerra em família para mudanças no estilo de viver, bloqueando gastos e isso obviamente não agradou a membros do clã. A sua mãe, Maria Helena, foi uma grande aliada. Foi um momento complicado? Ou você levou naturalmente?
Deixemos isso de lado. “Sete Pecados…” já deu pano para manga e é página virada.

CLASS – O GRUPO NEFFA é uma grande referência no Estado, mas já teve grandes dificuldades como tantos outros. É verdade que foi você que abandonou uma carreira promissora numa multinacional para reerguer o grupo anos atrás, quando os supermercados foram ameaçados?
Não foi bem assim. Larguei a carreira de auditora porque a veia empresarial falou mais alto. Conforme crescia e consoante amadurecia, ia tomando gosto pelos negócios da família. Julguei sempre trabalhar nas empresas do Grupo Neffa. Aquela prepotência de sócios mandões não me intimidava.

CLASS – A sua visão comercial é incrível. Lembro que muito antes da crise atingir as casas de festa, você já previa uma queda desastrosa. De onde vem esse faro? Pesquisas com grandes economistas ou pressentimento natural?
Nada mágico, nem sobrenatural e longe de ser premonição.

Os fatos do dia a dia e as notícias em revistas especializadas são grandes indicadores do porvir. Há de se ler sempre e hão de se tirar conclusões isentas de paixão, para não implorar a misericórdia divina, mais tarde, quando a casa cai. A prevenção deve ser parte integrante de uma conduta sóbria.

CLASS – Qual é o maior trunfo para manter tantos negócios de pé, diante de uma crise?
Um corpo societário tem o dever imperativo de manter os pés no chão e jamais alhear-se do real. Assim sendo, conter gastos públicos (entenda os da empresa) e os privados (entenda os de si próprio) em tempo desinfeliz é um remédio supereficaz. Esse negócio de ostentar nunca deu certo. Eu é que não me arrisco.

CLASS – Como é a sua relação societária com sua irmã, Flávia?
A melhor possível. Somos irmãs e amigas de uma vida. O relacionamento íntimo, numa sala de trabalho, nos saiu fácil desde o princípio em que retomamos nossa convivência. Aliás, Flávia é muito zelosa com as leis da cortesia.

CLASS – A hotelaria, que é um de seus negócios, esteve muito mal no Estado, você já sente reação?
Toda a gente sabe o quão descuidado é o trabalho em prol do turismo capixaba. O livro “Milagre em Passadouro” dá boas dicas de como a iniciativa privada pode reverter o descaso público. Sabe-se lá se a fórmula bolada em Passadouro não se aplica aqui?!

CLASS – Certa vez, o empresário Otacílio Coser me disse que negócios que não dão lucro devem ser fechados imediatamente. Você concorda?
Em face das dificuldades de se baixar uma empresa, as mais das vezes o empresário se atira às circunstâncias do acaso. O mal da burocracia não é novo e é mais uma das escórias em desfavor do empreendedorismo.

CLASS – Dentro da crise, levou algum tombo?
Sim, claro; como não? Por mais bem fundados os critérios de pré-avaliação, sempre existe um amigo que nos ilude e passa a perna. Cada coisa que vemos, né?!

CLASS – Certa vez, você me disse que não faz eventos para competir com ninguém, o seu preço tem de ser respeitado porque obedece à linha de custos e cada um tem o seu. Com isso, você acha que perdeu muitos eventos?
O mercado está cheio de aventureiros que são engolidos pela vaidade ao fazerem qualquer negócio para aparecerem socialmente. Não tem conto as perdas já sofridas por nossas empresas à face de concorrências traiçoeiras. Nada mais execrável do que rivais dessa sorte.

CLASS – A sua agilidade em mudanças é impressionante. Nunca teve medo de arriscar?
Lançar mão da ousadia compete a empresários de bom nome. Erros e acertos são inerentes à carreira.

CLASS – O que difere o Centro de Convenções de Vitória dos outros?
Ah, aí é com o cliente. Tomemos dele a última palavra.

CLASS – Quando a empresária Lúcia Murad Neffa encontra tempo para escrever seus livros? Existe um local preferido, uma hora determinada, ou você vai preparando capítulos e guardando?
Ambos os dois livros escritos me consumiram ao longo de um ano, aproximadamente; todos os sábados, sucessivamente. Era o tempinho de que dispunha para ler, escrever e pesquisar. Eu estava capaz de fazer três coisas a um só tempo. Um sufoco!

CLASS – É sabido que livros não trazem grandes lucros para os escritores, e você é uma pessoa que não trabalha para perder. No caso, é apenas um grande prazer ou você conseguiu ganhar alguma coisa?
Uma pouca coisa investi, claro. Cuido, agora, no retorno do capital, como empresária sisuda que sou.

CLASS – Faça um resumo da história de seu novo livro.
“Milagre em Passadouro” outra coisa não é senão a hipocrisia travestida de boa-fé; a púrpura ocultando o homem de si próprio; o lobo homem a vilipendiar o lobo homem; o antagonismo do eu público ante o mesmo eu privado, em sua intimidade sepulcral.

CLASS – Com essa nova atividade, você sonha um dia merecer uma cadeira na Academia Feminina Espírito-santense de Letras?
Não vou a tanto porque sou obra do acaso.

CLASS – Há pretensão de escrever outros livros?
Passe de mim esse cálice! Meta traçada; meta cumprida. Agora é partir para outra.

CLASS – Você leva uma vida simples, sem ostentação, mas em que gosta de gastar o seu dinheiro?
De conformidade com os meus preceitos, dinheiro é para ser reinvestido no próprio negócio. Tenho, não por acaso, hábitos pessoais para lá de triviais. Não digo o mesmo dos de gestora.

CLASS – No seu caso, qual é o segredo do sucesso em tudo que se propõe fazer?
Não rezo na cartilha do mínimo esforço. Nada se consegue sem sangue e lágrimas, seja qual seja o sucesso que se busca alcançar.



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