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CLASS/NOSSA CAPA

JAQUELINE MORAES: DE CAMELÔ A VICE-GOVERNADORA

A história da nossa vice-governadora é digna de estampar páginas de qualquer revista. CLASS, como sempre fez, foi buscar com mais profundidade um pouco de sua trajetória, trazendo fatos novos, e realmente se surpreendeu. E é o que compartilharemos com vocês. Fomos recepcionados em seu Gabinete, no Palácio da Fonte Grande, num final de tarde. De calça branca, camisa amarela e sapatos de salto agulha, JAQUELINE nos recebeu com muita desenvoltura, segura, e não hesitou responder NADA do que perguntamos. E mesmo sendo convocada para uma reunião com a primeira-dama, foi gentil, atenciosa e falante até o minuto final.
A vice-governadora disse que uma das primeiras coisas que modificou no Gabinete foi colocar um pouco de cor e vida no ambiente. “Era tudo cinza, branco, muito sisudo.” Numa parede, em um mosaico interessante, consta uma espécie de AGENDA para os seus quatro anos de mandato. Em outra, fez questão de colocar uma foto quando ainda era apenas uma líder comunitária, sem nenhuma pretensão política, com o marido e, olha só, o governador Renato Casagrande, quando foi visitar o bairro onde reside. Ao lado, a foto do dia da posse como vice de Renato Casagrande.
JAQUELINE MORAES é carioca, de Duque de Caxias. O pai era camelô por lá, e às vezes ficava meses trabalhando pelo País em feiras de festas de igrejas, e a mãe atuava como zeladora num hospital. Quando tinha 12 anos, o pai foi informado que aqui o trabalho de camelô era mais tranquilo e as condições de vida bem melhores. Foi quando reuniu a família e fez a proposta de uma mudança para o ES. Vieram e se instalaram no Bairro Operário, em Cariacica, onde ela reside até hoje.
O trabalho como camelô continuava e JAQUE entrou na luta para ajudar o pai. Era o ano de 1986 e ela lembra, com carinho, que tinham lançado os relógios CHAMPION – que permitiam mudanças de pulseiras e isso fazia o maior sucesso de vendas. Em 2012, quando trabalhava na Praça Costa Pereira, houve um movimento na gestão do prefeito LUIZ PAULO VELLOZO LUCAS que pretendia, a todo custo, fazer a retirada dos camelôs e levar para debaixo da Ponte Seca, na Vila Rubim. A essa altura, já enfrentava mil problemas e quando os outros camelôs se viam em maus lençóis, pediam a sua ajuda, uma vez que sempre teve uma AUTO-ESTIMA em dia e nenhuma dificuldade de lidar com problemas, muito menos de falar com quem quer que seja em defesa dos seus direitos. Se acontecesse algo no bairro onde residia, os vizinhos a chamavam para debater.
A VISÃO DENTRO DE UM CAMBURÃO - Mas, um dia, a polícia apareceu na Praça Costa Pereira para fazer o rapa e procuravam quem era o LÍDER. Não deu outra, apresentaram JAQUELINE e, sem perguntas, a algemaram para levá-la. Foi neste dia que ela faz questão de dizer ter recebido uma espécie de mensagem de que tinha uma missão. Ao entrar no camburão, olhou para cima e se emocionou quando viu, num prédio, muitas pessoas nas janelas com folhas de papel em branco abanando para ela. Foi logo liberada, sem registro de violência. Sem nenhum constrangimento, JAQUE pede à assessora, IRIS, para mostrar a foto dela sendo presa.
A vice-governadora faz questão de dizer que quando foi morar no Bairro Operário, em Cariacica, lá existiam 36 ruas e apenas uma era pavimentada. Um dia pensou: “Se tenho que conversar com prefeitos, vereadores e poderosos, preciso voltar a estudar.” E foi. Terminou o fundamental e passou no vestibular de Direito da FAESA. O interessante é que, até então, o marido, ADILSON AVELINA, que era o político. E explica: “Ele é o contrário de mim no comportamento. É mais contido, enquanto sou elétrica.” Adilson foi eleito vereador e ela trabalhava como cabo eleitoral para ele, sem nem imaginar um dia ser candidata. Até que num determinado momento, mesmo contra a sua vontade, o marido foi indicado pelo partido para concorrer à Prefeitura de Cariacica. Foi quando pediram para JAQUELINE se candidatar a vereadora. Ele perdeu, enquanto ela teve 2.652 votos, ficando entre as mais votadas para a Câmara. Isso em 2012.
A GRANDE SURPRESA – Um ano antes das eleições, JAQUE já tinha feito planos e comunicado ao partido (PSB) o seu desejo de ser candidata a deputada federal. Aliás, foi clara que entraria no PSB para disputar uma vaga na Câmara Federal e teve o apoio de RENATO CASAGRANDE. Mas, no dia 06 de agosto de 2018, foi convidada para uma reunião com todos do partido e em determinado momento CASAGRANDE disse: “JAQUE, senta ali. Você não poderá ser candidata a deputada Federal.” Ela ficou sem chão e assustada perguntou: “Por que?” Renato, então, não convida, já diz: “Você será a minha vice-governadora!” A coisa foi tão rápida que não deu tempo nem de falar com o marido, ele soube através de um site. Ela nos contou que passou algumas noites sem dormir. Não conseguia e nem queria. Imaginava que era um sonho de Cinderela e tinha medo de dormir e acordar com a carruagem tendo virado uma abóbora, brinca.
A GRANDE META – Quando perguntei se ela sonha um dia se candidatar a prefeita de Cariacica, ela rapidamente responde: “Por ora, não. Hoje o meu trabalho é conseguir desempenhar um legado que marque a história, já que sou a primeira mulher a ocupar este cargo. Pretendo dar uma ampla visibilidade ao trabalho da MULHER.” E comenta sobre o seu projeto, que ganhou apoio de CASAGRANDE, embora muitos tenham colocado um certo temor – o #nãosejalaranja, que faz um alerta ao fato dos partidos não prepararem as mulheres que decidem entrar na política. E já fez palestras no Tribunal de Justiça, na OAB, reuniu muitas mulheres em Brasília e o vê dando bons resultados.
COM OS PÉS NO CHÃO – JAQUE faz questão de dizer que sabe que o cargo não é DELA, apenas, no momento, é ocupado por ela. Assim,trabalha a sua mente para não se deslumbrar, o que é muito comum em pessoas que se projetam. E ainda nos dá um relato que colheu no livre de MICHELLE OBAMA, ex-primeira-dama dos Estados Unidos. Michelle, que viveu oito anos na Casa Branca, com todas as mordomias, disse que ao mudar-se com a família para a sua casa, sentiu a normalidade de sua vida quando em casa simplesmente foi pegar um prato. Há oito anos, ela não precisava fazer nem isso. Aliás, nem era permitido. E todos nós sabemos que estas pessoas, quando não se preparam, sofrem muito, porque o telefone não toca, os convites não chegam e os “amigos” já estão à procura de quem assumirá o posto. Isso é que é ter pé no chão! Bravo, JAQUELINE! Bravo!!! Fotos Ademir Ribeiro e Hélio Filho.



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Um Comentários

  1. Ana Maria Martins disse:

    Cada dia que passa a Class fica mais incrível!!!!
    Matérias, conteúdo !!!!!!
    PARABÉNS a toda equipe!!!!
    Milhões de abraços,
    Ana Maria Martins

Deixe seu comentário Ana Maria Martins