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SÍNDROME DE ASPERGER OU TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)?

Em 2013, quando foi publicado o DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), foi criado o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA), que agrupou todos os subtipos do autismo, incluindo a síndrome de Asperger, considerada uma forma mais branda do transtorno. De acordo com a neuropediatra, Dra. Andrea Weinmann, como o Asperger tinha este aspecto de ser uma forma mais “leve” do autismo, muitas crianças não conseguiam acesso aos tratamentos ou até mesmo ficavam sem diagnóstico durante muitos anos. “O termo ‘espectro autista’ colaborou para ampliar a variedade de sinais e sintomas, com diferentes níveis de gravidade”.
Segundo Dra. Andrea, especializada no diagnóstico e no atendimento de crianças com TEA, na síndrome de Asperger a criança não apresenta atraso na fala e nem déficit intelectual. “São crianças que falaram dentro do tempo esperado e têm um quociente de inteligência (QI) normal ou até acima da média. Porém, apresentam déficits importantes nas habilidades sociais, interesses restritos e comportamentos estereotipados”.
DIAGNÓSTICO TARDIO - “Como na maioria dos casos a inteligência é normal ou acima da média, há um mascaramento do déficit das habilidades sociais. A criança vai encontrando maneiras de compensar suas dificuldades sociais e isso pode atrasar o diagnóstico de forma significativa”, ressalta Dra. Andrea. Segundo um estudo recente, entre 50 a 80% das pessoas com diagnóstico de Asperger vivem de forma independente; 80% fizeram faculdade e cerca da metade teve relações interpessoais mais íntimas.
ISOLAMENTO SOCIAL E AMIZADES - Um dos aspectos mais afetados nas crianças com a síndrome de Asperger é o convívio social. Ao contrário dos outros espectros do autismo, são crianças que desejam fazer amigos, mas não possuem as habilidades sociais necessárias para criar e manter as amizades. “Costuma ser aquela criança que prefere atividades com regras claras e muito estruturadas, com pouca necessidade de interação com os colegas. A dificuldade de interagir e de criar amizades são fatores que aumentam o isolamento social, gerando problemas nos relacionamentos ao longo da infância e adolescência”, comenta Dra. Andrea.
NO SENTIDO LITERAL DA PALAVRA - Há um aspecto muito característico deste tipo de autismo. Apesar da criança não apresentar atraso no desenvolvimento da fala, apresenta dificuldade em interpretar a linguagem não verbal. “Este espectro do autismo dificulta a interpretação das expressões faciais, do tom da voz, da linguagem corporal, assim como impede que o paciente entenda o que é literal e o que não é. Em geral, são crianças que não entendem piadas, metáforas ou comparações”, comenta Dra. Andrea.
INTERESSES RESTRITOS OU GENIALIDADE? - Outra característica do Asperger são os interesses restritos e, na maioria das vezes, incomuns que a criança desenvolve. É interessante que os pais fiquem atentos quando a criança apresenta um interesse exagerado por algum tema muito específico, como animais, cores, números, meteorologia, dinossauros, trens etc. “Muitas crianças acabam se especializando e podem falar sobre o assunto por horas, de forma repetitiva. É um interesse restrito, muitas vezes confundido com ‘genialidade’”, diz a neuropediatra.
ATRASO MOTOR É ASPECTO IMPORTANTE - Embora alterações na parte motora não façam parte dos critérios para o diagnóstico do Asperger, é frequente encontrar algum tipo de déficit motor nestas crianças. “Em geral, são crianças que possuem pouco interesse em esportes, porque seus movimentos são mais descoordenados ou desajeitados. Podem também apresentar dificuldades em segurar lápis, amarrar cadarços, desenhar, entre outros movimentos que exigem da coordenação motora fina”, afirma Dra. Andrea.
INTERVENÇÃO PRECOCE - Como a cognição costuma ser normal nos pacientes com Asperger, quanto antes for feito o diagnóstico, melhor será o prognóstico. Isso quer dizer que a criança poderá ser treinada para desenvolver as habilidades sociais, superando esse déficit nas interações sociais. “O ideal é começar este treinamento na fase em que há maior neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro em criar novas conexões neurais que podem ajudar na integração social. O acompanhamento contínuo com o neuropediatra também é fundamental para avaliar comorbidades (outros transtornos) que podem fazer parte do quadro”, encerra Dra. Andrea.



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