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CLASS/TORPEDO

25/02/2019 16:30 pm

TANTO RISO, OH, QUANTA ALEGRIA!!!


Quando saí do SAMBÃO DO POVO na madrugada de domingo, pensei o que seria do povo brasileiro sem o CARNAVAL e o que seria do CARNAVAL sem o Brasil! Depois de meses com a TRISTEZA invadindo os lares capixabas, aquela avassaladora e constante onda de negatividade, ora com lama, ora com corrupção, eis que surge uma avenida iluminada onde milhares de pessoas se encontram, sorriem, se fantasiam de reis, rainhas, gatos, bailarinas, corpos nus ou derretendo embaixo de peles, mas todos com a mesma proposta: DIVERSÃO!
Que força tem o carnaval! Por alguns momentos, ele faz a tristeza procurar outro rumo, abre as portas, o coração e ordena que só tem passe livre a FELICIDADE. E como é diferente estar num ambiente onde reinam sorrisos, onde pessoas se abraçam até mesmo sem se conhecerem, se divertem, torcem por agremiações, mas são capazes de aplaudir a concorrente. Como é diferente respirar o ar, a energia onde ninguém está preocupado se a bolsa da vizinha é de grife, ou se o decote profundo é indecente, se a cerveja é HEINEKEN ou se é BRAHMA. O carnaval brasileiro é que levou ao mundo essa ideia que somos alegres e festivos.
A princípio, conhecido como “ENTRUDO”, no século XVII, quando chegou aqui, os foliões se lambuzavam com farinha e bexigas d’água. Na época do Brasil Império, ele foi proibido muitas vezes, mas consta que D. Pedro II bem que gostava de jogar água nos nobres na Quinta da Boa Vista. O primeiro baile reconhecido de carnaval aqui foi em 1840, no Hotel Itália, Rio de Janeiro, ao som de valsas e quadrilhas, mas em 1847 o português ZÉ PEREIRA, tocando bumbo, colocou com sucesso o primeiro bloco nas ruas do Rio.
Temos grandes nomes que colaboraram para a grandeza de nosso carnaval, e jamais podemos esquecer de Joãozinho Trinta. O carnaval capixaba também cresceu e mudou muito. Na década de 70, o saudoso KATUYA SAADE, um empresário de origem libanesa, apostou e foi prestar sua colaboração na Unidos da Piedade. A Escola de Samba Amigos da Gurigica teve o Coronel DÉCIO NASCIMENTO. Tivemos ainda, quebrando tabus, quando a chamada alta sociedade ainda torcia o nariz para o samba na avenida, VÂNIA SARLO – que foi porta-bandeira nota 10. O nosso amigo CARLOS VACCARI, que saiu do glamour que adorava para conviver com a realidade dos menos favorecidos e mergulhou na NOVO IMPÉRIO e depois na escola do seu bairro, a PEGA NO SAMBA.
Mas, colocar uma escola de samba na avenida requer muito trabalho, renuncia aos compromissos, determinação, foco, empenho, amor à sua agremiação. Quem nunca visitou um barracão nos dias que antecedem o desfile jamais pode imaginar que ali algumas pessoas não chegam a dormir três horas num dia. Mas, compensa! Quem faz isso, faz mais por amor que por dinheiro. E quem ganha somos todos nós que por alguns dias podemos conviver com momentos raros e cantarolar aquela musiquinha do poeta carnavalesco Zé Keti que diz: “Quanto riso, oh, quanta alegria!” São momentos impagáveis que nós, brasileiros, merecemos indiferente à posição social, financeira e onde todos se misturam e parecem concordar que o importante é ser FELIZ!

 

LINHAS MALDITAS

- Não vi todas as escolas ao vivo, mas fiquei encantado com o trabalho de Paulo Balbino para a UNIDOS DA PIEDADE. Sabe como poucos usar a paleta de cores na avenida e a formação de alas. Além de um acabamento primoroso na confecção de fantasias. A ala das baianas de bruxas (foto Elizabeth Nader/PMV) era para ninguém colocar defeito. Eu disse NINGUÉM!!!

- Lindo demais ver também o respeito pela figura de EDSON PAPO FURADO (foto acima), um dos nomes mais fortes do samba capixaba, desfilando num tripé e recebendo os merecidos aplausos da multidão.

- O deputado estadual Sergio Majeski (foto acima) desfilou na Unidos da Piedade com a camisa da Diretoria. Já Iriny Lopes, preferiu uma das alas, onde sempre marcou presença.

- Já a MUG veio com uma confusão de cores, tanto nas fantasias, quanto na sequência de alas – que, ao vivo, era de doer. Mas, os carros alegóricos, além de belíssimos, estavam de aplaudir de pé. Não deviam nada aos de escolas do Rio e São Paulo.

- Até mesmo o problema no abre-alas, quando o telão de led pifou e impediu de mostrar mais uma atração tecnológica, foi bem-resolvido e quem não sabia nem notou porque improvisaram um banner que cobriu. Agilidade e criatividade numa hora de pânico.

- Como já tínhamos comentado, as fantasias de luxo, que sempre estavam no alto, em carros alegóricos, diminuíram muito. Parece que desceram para o asfalto – onde podem ser mais admiradas.

- Muitos marombeiros fizeram a alegria da mulherada numa ala da PIEDADE que falava em seu enredo de gatos. Eles surgiram na avenida só de sunga e com uma capa com estampa de bichano fazendo movimentos. Foi um frisson só!

- Outros que estavam num carro alegórico, tinham só uma perna coberta com purpurina prata. Ninguém entendeu se faltou purpurina ou se era homenagem ao Saci Pererê. Quá…Quá… Quá…

- O camarote MOQUECA 027, da família COUTINHO (no foto com JG, Bianca e Carlos Roberto Coutinho), onde fomos recebidos com uma mordomia total, desde o envio de um carro de luxo com motorista para nos buscar em casa até o sambódromo e usufruir de um buffet farto e variado do Gabriel Junior, era dos mais disputados. Tinha tudo que se possa imaginar, num ambiente com décor projetado por Cássio Domingues e executado por Naldo Almeida. Nos intervalos, shows e direito aos retoques de maquiagem por uma profissional. Parabéns!!!

- Temos de parabenizar o serviço de policiamento durante o carnaval. Simplesmente fantástico. Ao redor do Sambão e nos pontos estratégicos, até blitz na Ilha do Príncipe às três da manhã, sem tumultos e apenas visando a segurança dos foliões.

- Faltou criatividade num tema que poderia ser muito bem explorado pela PEGA NO SAMBA, cujo samba enredo homenageava D. Lenira Borges (foto Leonardo Silveira/PMV), a nossa mais idolatrada professora de balé no ES. Poderiam fazer maravilhas com tule, um tecido barato e deixar a avenida quase flutuante.

- Aliás, este ano descobriram umas penas de acetato que foram usadas substituindo plumas e penas em quase todas as escolas. Ficou feio. Muito feio.

- O prefeito Luciano Rezende (na foto acima com a sua primeira-dama, Marina, o senador Marcos do Val, a primeira-dama do Estado, Virgínia, e o governador, Renato Casagrande) , sempre acompanhado do deputado estadual Fabrício Gandini, fez seu papel percorrendo todo a extensão da passarela nos dois dias. Sempre simpático e atento, ouvindo elogios e soluções. Embora não fosse lugar para isso, mas as pessoas aproveitam. Mesmo assim, com paciência e muita boa vontade, não deixava de ouvir. Esse é o papel do político.

- A NOVO IMPÉRIO há anos não entrava na avenida com tanta garra. A FAMÍLIA IMPERIANA se emociona, dá o sangue e por isso sempre faz um grande desfile. Até o amanhecer, em tons de azul e rosa, veio complementar o desfile. O carnavalesco PETERSON LOIZ é bom no que faz. Na minha opinião, poderia ter diminuído o tom de rosa, mas é apenas minha opinião. Talvez porque sou um apaixonado por tons de azul, mas sem dúvida alguma é uma das favoritas. É a minha escola de coração, e as raízes explicam.

- Um dos grandes destaques da NOVO IMPÉRIO foi nossa amiga NEIVA BUAIZ, no carro abre-alas, com uma roupa linda assinada pelo Atelier AGUIAR MARINS. É bom deixar registrado que a sua participação foi muito além do desfile e encantou a família imperiana. Até lanche para os voluntários que trabalharam no Barracão ela fez questão de doar de forma espontânea. Isso é raro, coisa de gente generosa que enxerga as dificuldades e não espera pedidos para contribuição.

- O que percebo muito nos desfiles das escolas é a despreocupação que a maioria dos carnavalescos demonstram com uma sintonia de cores entre a bandeira da agremiação e a fantasia do mestre-sala e da porta-bandeira. Olha, é um negócio que acaba com o visual de qualquer fantasia – por mais luxuosa que seja.

Geovana Garcia, Garota Carnaval CLASS 2016, pela lentes de Tovar

- Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiii!!! Mas volto, pode chover canivete, facão, o escambau. Beijos no coração. JG



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Um Comentários

  1. Cassia Effgen disse:

    Belíssimo carnaval. A Novo Império vai ser osso duro de doer: as 4 “grandes” que se cuidem! Vimos de casa e revi hoje novamente. Quem desfila praticamente não vê as escolas anteriores, mas a impressão que tive é que realmente todas se esmeraram para fazer bonito na avenida. Elogios também aos Pms/guardas municipais/bombeiros que prestaram um excelente serviço no sambão e áreas externas.

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