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CLASS/TORPEDO

06/02/2019 16:00 pm

O FUNERAL DO COLUNISMO SOCIAL

Acho que fui o primeiro colunista do País a anunciar a morte do colunismo social. Logo quando surgiram as redes sociais, era notório que afetaria a profissão e, fatalmente, a levaria para o túmulo. As pessoas viraram colunistas de si mesmo e se mostram como sonharam brilhar numa página assinada por um profissional a vida inteira. E, principalmente aquelas que diziam não gostar, passaram a mostrar do café da manhã à roupa de dormir. O que tornou quase desnecessário ver nas páginas o que a maioria do seu convívio já viu.
Mas, antes que as “locomotivas” descarrilhassem, eu, como bom maquinista, parei na estação mais próxima para reinventar uma maneira de noticiar que raramente se vê, principalmente nas redes, porque o combustível é a CORAGEM. Sim, passamos a divulgar mais os negócios, a política, o abandono público, as injustiças e as necessidades do povo. O social é apenas a cereja do bolo porque, para descrever uma festa a ponto de levar o leitor ao evento, é preciso conhecimento, ter raízes e livre trânsito nos bastidores. Os eventos diminuíram, as redes mostram, mas o olhar de um profissional que entende do assunto é insubstituível. Então, aí cabe a opinião de quem sabe, totalmente diferente do que cada um fala de si.
As “curtidas”, nem sempre verdadeiras, acrescidas de comentários como “diva”, “poderosa”, “linda”, “maravilhosa”, seriam quase impossíveis para muitas vindos de um profissional. E cabe reproduzir um pensamento recente postado pelo padre Fábio de Melo: “Perdemos respeito pelos adjetivos. Chamamos de maravilhoso o que nem é bonito.” Se por um lado parece bom, porque levanta a autoestima, por outro pode ser ruim porque faz com que muitos acreditem em TUDO sem pensar. Mas, cada um que interprete à sua maneira.
Uma coisa muito engraçada é que, mesmo após a morte do “colunismo social”, ainda surgiram pessoas se intitulando “colunistas”, escrevendo não sei onde e nem para quem ler. Talvez para elas mesmas e meia dúzia de carentes. Tudo isso porque ontem encontrei uma amiga que veio justamente me cumprimentar pela transição rápida que fiz, saindo daquela redação que dizia que “fulana está de carro novo ou comprou uma bolsa FENDI”.
Hoje, a coluna fala do social quando um evento merece, quando ele traz negócios ou reascende o glamour dos velhos tempos. Ao meu ver, é preciso valorizar e dar espaço principalmente ao humor misturado à informação. Noticiar o que os outros preferem omitir. Lançar um profissional de talento que enfrenta as costumeiras dificuldades para ser reconhecido. É conseguir mostrar que o tempo passou e exigiu mudanças em todos os segmentos. Para continuar exercendo qualquer profissão, é preciso inovar. E, no nosso caso, no modo de noticiar; imprimindo sempre, também, um estilo próprio que nos distingue de outros.
Outra coisa, percebam que os maiores líderes das redes sociais fazem graça, ou tentam fazer. Quando o apresentador Wagner Montes morreu, percebi que todos os apresentadores do BALANÇO GERAL são treinados para fazer a dança da galinha, do pinto e rodopiar como mãe de santo em dia de festa.É bonito? É interessante? Prefiro não opinar, mas, para muitos, diverte. E é isso que o povo quer. Quem aguenta passar meses vendo a VALE matar pessoas com um mar de lama? Ninguém!!! Mesmo porque, além do crime, vem junto os anos assistindo à inércia para pelo menos ressarcir as família de um mal que não tem defesa e nem indenização à altura.
Tudo isso para explicar que o funeral do colunismo social aconteceu já há algum tempo. Certo que existem algumas múmias insistindo na sobrevivência, não se sabe até quando. Hoje, a vez é do cronista, do repórter que entra em campo sozinho e, para marcar um GOL, precisa vencer blogueiros e milhões de pessoas que não precisaram da permissão do high society para se mostrar em suas páginas.
Porém, não se pode negar que o jornalismo sério, reconhecido pela credibilidade de seus comentários, faz a diferença em qualquer assunto. Inclusive na área social, onde poucos sobrevivem porque ainda não tomaram conhecimento de uma nova era. Veja talentos como Bruno Astuto, Mônica Bergamo, Sônia Racy e Joyce Pascowitch, que representam o novo repórter social. Ressuscitaram em grande estilo e fazem trabalhos belíssimos. E é neles que nos inspiramos porque na vida, todos os dias, temos que ter humildade para aprender com quem tem a grandeza de compartilhar a sabedoria.

JORGINHO SANTOS



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4 Comentários

  1. Paloma Magalhães Radwanski disse:

    Colunismo nos tempos das redes sociais realmente é um desafio. Porém ser citado por um jornalista sério e de renome não tem nunca o valor dos blogueiros e das redes sociais. É algo para guardar e comemorar. Parabéns Jorginho por manter a chá acesa

  2. Paloma Magalhães Radwanski disse:

    Colunismo nos tempos das redes sociais realmente é um desafio. Porém ser citado por um jornalista sério e de renome não tem nunca o valor dos blogueiros e das redes sociais. É algo para guardar e comemorar. Parabéns Jorginho por manter a chá acesa

  3. Andrezinho Castro disse:

    Jorginho, sábias palavras. Você tem a minha admiração e respeito pelo trabalho que desenvolve ao longo desses anos!

Deixe seu comentário Paloma Magalhães Radwanski